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Finanças. Expectativas. Situação da economia. Pressão. Medo de fracassar. Estresse constante. Essa é a realidade que poucos veem, mas muitos sentem: o desgaste na saúde mental. De acordo com o e-book “Saúde mental do empreendedor” do Sebrae, mais de 70% dos empreendedores sofrem com algum tipo de desordem de saúde mental.

Mais números mostram a dimensão do desafio: 37% dos empresários sofrem de burnout (estado de exaustão física, mental e emocional devido estresse crônico no trabalho), 22% têm ataques de pânico e 85% lidam com ansiedade. Isso é o que aponta o estudo “Saúde e performance de pessoas empreendedoras”, realizado em 2024 pela Endeavor Brasil.

No mesmo ano, o Ministério da Previdência Social registrou quase meio milhão de afastamentos do trabalho, o maior número em pelo menos dez anos. Os motivos? Ansiedade, depressão, transtorno bipolar, entre outros.

Encontrar o equilíbrio na saúde mental é um desafio para quem comanda o próprio negócio, para quem é funcionário em uma empresa, para quem é humano. Por isso, dar atenção a esse tema vai muito além do Setembro Amarelo: cuidar do corpo e da mente é fundamental o ano todo.

Foi o que Juliana Teixeira Nunes Vidal, de 41 anos, precisou aprender.

 

O empreender como recomeço

Natural de Morrinhos (GO), profissional e mãe, Julliana é formada em Enfermagem pela PUC Goiás e passou por hospitais em Goiânia, Brasília e São Paulo, especializando-se em terapia intensiva, cuidados críticos em cardiologia e controle de infecção. Com 16 anos de dedicação ao cuidado de pacientes e equipes, passou 12 deles na gestão de instituições hospitalares.

Durante a pandemia de covid-19, recém-saída da maternidade, atuou como gestora em uma unidade hospitalar, na linha de frente do combate à doença. Ali viveu momentos de entrega, pressão intensa e superação. Depois desse período, foi convidada a liderar UTIs em outra instituição. Voltou com entusiasmo, mas a sobrecarga física e emocional vividas ainda eram patentes e as crises de ansiedade vieram. Toda a situação culminou no diagnóstico: burnout. Era a hora de parar.

“O burnout limita totalmente, do ponto de vista físico e mental. É uma sensação que não é só estresse, não é só estafa. Você se sente incapaz. O desenvolvimento de atividades que você ama, passa a não fazer sentido. Posso dizer que não fui vítima da ‘área da saúde’, eu fui vítima de mim mesma. Eu negligenciei os sinais: dores constantes que não eram físicas, excesso de trabalho, férias que eu tirava, mas não ‘desligava’. Tive que aprender a me reconectar, respirar, reconhecer meus limites”, explica Julliana.

Em 2022, pediu demissão. Uma decisão difícil, mas também libertadora. Com o apoio da família, especialmente do esposo, e acompanhada pelo seu médico psiquiatra e por sua terapeuta, iniciou um processo de cura. “O acompanhamento médico, terapia e autocuidado são indispensáveis”, ressalta.

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